Teatro | A Minha História Como Atriz

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Elsa Alves atriz
2013 - Personagem da peça de teatro "Cheira a Vitória".

Hoje partilho convosco a forma como vejo o teatro e a minha experiência como atriz.

O que posso dizer? Que é a arte que mais me fascina desde sempre? Que é a arte que faz o meu corpo vibrar de tão mágica que é?

 

O teatro está enraizado em mim desde que me lembro. 

Teria talvez os meus quatro ou cinco anos quando comecei a ter o meu primeiro público.

Recordo-me como se fosse hoje… No casamento de uma tia minha lá fui eu improvisar e dar o meu melhor perante alguns dos convidados dela.

O que fiz? Cantei “lá, lá, lá, lá…”, Dancei… E fiz mais umas quantas coisas que arrancaram uns sorrisos e uma expressão de “tão engraçada que ela é”.

Elsa Alves atriz
Apesar de não estar muito feliz nesta fotografia… Recordo-me que foi tirada no Carnaval e depois nunca mais quis tirar este fatinho de bailarina. Passava a vida a rodopiar, a cantar e a interpretar as minhas personagens improvisadas

Em cada casamento, eu brilhava e encantava o público de quem me aproximava.

Não tinha vergonha! Nunca tive! Queria sempre mais…

Quando tinha sete anos surgiu a minha primeira oportunidade de pisar um palco a sério como atriz.

A minha professora do segundo ano queria fazer uma peça e precisava de atores.

Chamava-se “A Bela Robô”. Não sei como, o papel de protagonista veio-me parar às mãos.

Apesar de ser a personagem principal, apenas tinha de dizer uma única frase: “Olá! Eu sou a Bela Robô. Muito prazer!”.

Ainda hoje digo esta frase soletrando cada letra como um verdadeiro robô.

Aos 12 anos surgiu a minha segunda experiência como atriz. 

Foi também na escola.

Sempre quis fazer tudo o que estivesse ao meu alcance… Detesto e detestava ter tempo livre (no bom sentido, claro). Gosto de aproveitar a vida de forma produtiva.

Inscrevi-me no Grupo de Teatro Escolar e foi a melhor coisa que fiz.

A minha família nunca teve esta paixão pela vertente artística, mas sempre me apoiou em tudo, sobretudo a minha mãe.

A orientadora deste curso era maravilhosa e logo, logo se apercebeu da minha vontade de respirar teatro.

Fiz três peças, salvo erro, e com ela comecei a frequentar salas de teatro a sério. 

Gostou tanto de mim que me ofereceu um pequeno coração em ouro e disse-me: “Nunca desistas do teu sonho!”

Apesar de eu ser apenas uma miúda, os meus olhos brilhavam em cada ensaio, em cada peça, em cada tudo o que acontecia à minha volta.

Saí desta escola.

Fui para outra onde nada havia… A minha paixão ficou adormecida.

Elsa Alves atriz
Esta é a melhor fotografia que tenho da minha experiência em teatro aos 15 anos. Não havia palco, luzes ou cortinas, mas fui muito feliz

Até que troquei novamente de escola e a esperança de voltar a representar surgiu: “Inscrições Abertas Para Um Grupo De Teatro Amador”.

Era em horário pós-laboral e praticamente apenas para adultos.

A minha irmã tinha dois ou três anos e muitas vezes tinha de ficar com ela. Mas fui!

Fiz duas peças, mas a que mais me recordo foi uma adaptação de “Annie Hall”, de Woody Allen.
Tinha 15 anos e inscrevi-me em algumas agências de atores e publicidade. 
Fiz o meu primeiro book (álbum fotográfico) e algumas participações em novelas, em programas de televisão e em publicidade.

 

Elsa Alves atriz
Uma das fotografias do meu primeiro book fotográfico

Passei a ouvir milhares de vezes: “Queres ser atriz? Como assim? Isso não é futuro! Tens de tirar um curso! Tiras um curso e depois vais fazendo uns trabalhos desses nas horas vagas!”.

Nem sequer foram os meus pais a sugerirem-me tal coisa… E eu pensei: “Mas não pode ser um curso profissional de teatro?” e procurei…

As ofertas eram escassas, eram caras, eram longe…

Tirei um curso de jornalismo e audiovisuais.

Dediquei-me a ele a 100%, como me tento dedicar a tudo na vida.

O meu sonho ficou na prateleira.

Até que resolvi resgatá-lo!

Em 2009 já tinha um emprego estável, numa revista, como jornalista.

Em trabalho, fui ao Rio de Janeiro . Imaginem onde? Aos estúdios da TV Globo.

Estúdios PROJAC TV Globo
2009 – Nos estúdios do PROJAC (TV Globo) no cenário da telenovela brasileira “Caminho das Índias”

Durante aquela semana percebi que não podia deixar o sonho esquecido.

Regressei a Portugal e despedi-me.
Decidi sair do país e abrir os meus horizontes.
Fui para Manchester, no Reino Unido.
Não fui capaz de lá estar mais de dois meses.
Tinha muitas saudades da minha família e, sobretudo, da minha irmã pequenina.
Apesar de já ter uma casa, um trabalho, aulas de inglês e até aulas de dança. Regressei.
Comecei a fazer alguns trabalhos em televisão.
Coisa pouca. Tive de arranjar emprego para me sustentar. E consegui, apesar de ser numa área totalmente distinta.

Fui admitida num curso de representação, que já queria fazer há muitos anos, e conciliei com esse emprego.

Fui fazendo umas coisas, mas mais uma vez o jornalismo desviou-me do meu foco.

Comecei a trabalhar para uma revista como freelancer.
Depois surgiu outra oportunidade para trabalhar numa produtora de televisão.
Entretanto surgiu também a oportunidade de ingressar, em pós-laboral, numa companhia de teatro.
Fundamos a nossa própria companhia.
Fiz duas peças de teatro e mais uma vez, o jornalismo e a falta de tempo desviou-me do teatro.
Elsa Alves atriz
Em “Lisboa, Pedaços de Nós”
Atualmente o teatro e a representação continuam viver em mim.

Vou fazendo algumas coisas e vou observando alguém que admiro a 300%.

Alguém que, como eu, adora este universo e que tem um talento muito especial: o meu marido.

É tão bom partilharmos com alguém, além do nosso amor, o amor que sentimos por algo, como eu sinto por esta arte…
Sinto que o teatro está tatuado no meu coração para sempre.
Haja o que houver, venha o que vier é isso que gosto e que vou gostar de fazer para toda a vida.
Se vou conseguir ou não? Se vou ter obstáculos ou não? Não quero nem saber… Só sei que o mais importante é lutarmos pelo que gostamos e conseguirmos!
Nunca me esqueço de algo que o ator Ruy de Carvalho me disse uma vez numa entrevista: “Um país sem cultura é um país sem identidade”. 
Eu concordo e vocês?
É bom ver os teatros, os coliseus, as salas de espetáculos pequenas, médias ou grandes, cheias!
É bom ver que o público aumenta de dia para dia. É bom ver que as pessoas começam, cada vez mais, a valorizar as artes em geral.
Elsa Alves atriz
Nos bastidores da peça “Cheira a Vitória”

Muito obrigada àqueles que todos dias trabalham por amor à arte, muitas vezes sem condições, com pouca rentabilidade e sem nenhum apoio… 

Muito obrigada àqueles que ainda se deixam levar pelo sonho de um dia conseguirem sobreviver, e bem, do prazer de pisar as tábuas.

Aguardo ansiosa pelo dia em que os adultos transmitam às crianças e adolescentes que ser ator ou atriz é uma profissão tão digna e importante como ser médico ou advogado.
O poder da arte de representar é inimaginável!
Se pode salvar vidas como um médico faz? Talvez não o consiga fazer… Mas tem a capacidade fazer sonhar e espalhar esperança…

 

Agora, voltei a arriscar. Sou jornalista, sou blogger, sou atriz e sou freelancerSou o que eu quiser. 

Acompanhem-me também no Instagram aqui e no Facebook aqui.

Fotos: Elsa e Nuno Junior Photography

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Eu sou a Elsa e tenho 29 anos. Sou uma mulher feliz e cheia de teorias. Adoro viajar, estar por dentro das novidades de lifestyle e casei-me em 2017, por isso, também tenho muitas dicas para vos dar. Espero que gostem do meu cantinho!

17 COMENTÁRIOS

  1. Olá minha querida 😀

    Fiquei muito surpreendida ao ler este teu texto. Confesso que não sabia desta tua (enorme) paixão 🙂 Sabia sim que o sr. teu marido a tinha e trabalha nela, mas tua não sabia.

    Gostei muito de ler toda a tua experiência, os altos, os baixos… Tudo 🙂

    Não desistas NUNCA do sonho.
    Um mega beijinho*

  2. Olá minha querida 😀

    Fiquei muito surpreendida ao ler este teu texto. Confesso que não sabia desta tua (enorme) paixão 🙂 Sabia sim que o sr. teu marido a tinha e trabalha nela, mas tua não sabia.

    Gostei muito de ler toda a tua experiência, os altos, os baixos… Tudo 🙂

    Não desistas NUNCA do sonho.
    Um mega beijinho*

  3. Olá, Elsa! Sua história é encantadora. Também tenho muito interesse pelo audiovisual, é algo apaixonante! Já tive a experiência de atuar, estar em frente às câmeras, mas o que eu gosto mesmo é de ficar nos bastidores. 🙂
    Beijos

    • Muito obrigada pelo seu comentário. Acho que nunca devemos desistir de fazer aquilo que gostamos e, sem dúvida, que o teatro é algo que me move verdadeiramente. Beijinhos

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