O Drama Em Andar De Transportes

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transportes públicos

Toda a minha vida vivi na zona centro de Lisboa e andava quase sempre a pé, não precisava dos transportes públicos para nada.

As minhas escolas nunca ficaram a mais de 500 metros da minha casa.

O drama começou quando arranjei trabalho.

O meu primeiro emprego ficava a quase 25 km de casa.

Tirei a carta aos 18 anos, arranjei logo um carro e ia contra o trânsito. Perfeito!

Mas, fazer todos os dias quase 50 km é aborrecido e dispendioso.

Mudei de emprego e voltei a trabalhar a 500 metros de casa. Ótimo!

Ganhava menos de 600 euros a recibos verdes. Péssimo!

Depois arranjei outro emprego a mais de 15 km.

Ia novamente contra o trânsito e era ótimo.

Mudei de casa e ir para o trabalho ainda ficou mais fácil.

A empresa mudou-se para a zona do Parque das Nações e achei que era ainda mais perfeito. Foi péssimo!

Ir de carro significava atravessar a capital em hora de ponta.

Ir de transportes era sinónimo de mais de uma hora para lá e para cá.

De transportes sempre poupava um pouco mais e o tempo era quase o mesmo.

Aproveitava inclusive para me inspirar nas pessoas à minha volta ou para ler.

Não detestava e achava que conseguia rentabilizar o tempo.

Agora, trabalho como freelancer e sou blogger.

O meu tempo vale palavras e dinheiro.

Andar de transportes públicos começou a significar terror e desperdício de tempo.

Andar de transportes passou a ser caro.

Como não ando todos os dias, imaginar que durante um dia gasto mais de 1.30€ (com zapping) ou 1.85€ (sem zapping) vezes, pelo menos, dois. É uma tortura mental. É demais!

Andar de transportes tornou-se um drama e uma coisa horrorosa.

O pior é que mais uma vez, e como mais de metade da minha vida adulta, desloco-me para fora de Lisboa.

Não é sina?

transportes públicos

A vida mudou e a opinião sobre os transportes também.
Hoje olho para trás e não consigo entender como é que alguma vez posso ter achado graça aos transportes públicos.

São fases! Quando escrevi isto, de facto andar de transportes fazia sentido.

No final do mês, estar uma ou duas horas a deixar-me levar ao ritmo do trânsito e dos atrasos era indiferente.

Também sempre adorei andar de transportes em viagens, porque conhecia e descobria sítios diferentes. Observava.

Hoje quase não consigo escrever, sobretudo para vocês, as milhentas histórias que tenho em carteira, quanto mais ter tempo para admirar as pessoas que usam óculos em locais fechados, por exemplo.

Eu sei que faz falta e que faz parte da essência deste blog, mas o carro é metade da minha independência.

São as minhas pernas sem cansaço, é a minha corrida ao supermercado ou a um evento em 10 minutos ida e volta.

Apenas um carro em casa é um pandemónio, um drama, o Apocalipse!

Bem, a verdade é que este texto nasceu, cresceu e amadureceu numa hora entre o autocarro 758, a chuva e o caos, o 742 e 700 metros a pé.

Pensar positivo atrai coisas positivas, por isso, amanhã pode ser que não chova, que me ofereçam um carro para testar se está bom de saúde ou que nasça outro texto.

Até lá fiquem atentos aos meus desabafos no Intagram e no Facebook.

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Eu sou a Elsa e tenho 30 anos. Sou uma mulher feliz e cheia de teorias. Adoro viajar, estar por dentro das novidades de lifestyle e casei-me em 2017, por isso, também tenho muitas dicas para vos dar. Espero que gostem do meu cantinho!

4 COMENTÁRIOS

    • Olá Carolina. Às vezes é mesmo chato, mas temos que dar a volta e encontrar uma forma de tornar “a coisa” menos mazinha. Acredita que a carta vai mesmo ser a melhor coisa de sempre, sim! 😀 Beijinhos

  1. Ando em média, 75 Km quatro dias por semana (ida e volta de carro) para trabalhar…só ontem no caos pós-chuva em Belo Horizonte e região, demorei quase três horas à noite só para voltar para casa…seria ser blogger, ganhar um pouco de dinheiro com isso e sair para correr com as pernas apenas para exercitar…ainda não dá..será que um dia dará? Bela descrição…parabéns…

    • O trânsito é um caos, os transportes são um caos… enfim, há dias em que parece que o mundo conspira contra nós, mas o mais importante é resistirmos e até nos rirmos um pouco com as situações menos boas que a vida nos põe à prova. Chuva não combina nunca com nada. Faz muita falta, mas destabiliza por completo a vida de qualquer um. Obrigada. Beijinhos

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