Medo de ser mãe
Teorias

Tenho Medo De Ser Mãe Ou De Ter Filhos?

“Tenho medo de ser mãe ou de ter filhos” é uma das grandes questões que ainda não consegui esclarecer na minha cabeça.

Acho que dizer “estou preparada para ser mãe” é muito diferente de dizer “estou preparada para ter filhos”.

No meu ponto de vista são coisas totalmente diferentes, apesar das duas estarem intimamente ligadas.

Muito sinceramente, penso que nem estou preparada para uma coisa nem para a outra, sobretudo quando à minha volta oiço as crianças dos outros a chorarem e a fazerem birras universais.

Sim. Acho que aquilo que mais afasta o meu pensamento da maternidade é imaginar que vou ouvir choros se for preciso 24 horas seguidas e imaginar o(s) meu(s) filho(s) como pequeno(s) ditador(es).

bebé ditador

Sim. Ditador(es)! Leram bem.

Eu bem vejo como é que as crianças dominam os pais. E não tentem dizer que não.

Elas decidem literalmente se o pai ou a mãe vai para a esquerda ou para a direita.

Nas suas pequeninas, inofensivas e ingénuas mãozinhas os papás são marionetas. Eu vejo!

 

Basta darem um “ai” que já têm a jogada ganha. Isso assusta-me!
Já não são boas razões para ter medo de ser mãe e de ter filhos?

Não.

Imaginar-me a ser dominada por um ser que ainda nem fala, Jesus! É demais para a minha cabeça.

Eu até sinto vontade de ser mãe, adorava engravidar, sentir a barriguita a crescer e sentir um amor profundo por um ser que ainda nem conheço.

Adorava que as mãos do pai a tocassem na minha barriga com amor e ternura.

gravidez

Adorava ver na ecografia um coraçãozinho a bater e comprar roupinhas lindas para a cria.

Agora, estar num restaurante com um grupo de amigas e ter a minha filha a mandar-me um jato de vómito depois de mamar e molhar-me toda (como aconteceu à minha frente com uma amiga minha), eu não sei se aguento.

Aliás, e a gravidez? Também pode não ser maravilhosa! Apesar de eu ser uma pessoa muito positiva, claro que isso me deixa apreensiva.

Neste meu grupo lindo e espetacular de amigas, a maioria já é mãe e acho que a culpa do meu trauma é delas.

Desde os enjoos terríveis durante a gestação até ao dia-a-dia atribulado depois das crianças nascerem, pouca coisa me atrai.

As crianças são amorosas e claro que não deve existir mais recompensa do que a sua própria existência, mas quando lhes dá para as birras, tornam-se insuportáveis.

Deduzo que todas as criancinhas fofinhas e bochechudas sejam assim.

Nos meus piores pesadelos consigo imaginar os meus lindos e fofinhos rebentos a devorarem-me como se fossem zombies do Walking Dead.

Sou eu que não sou normal por imaginar isto ou é uma visão muito comum para quem, como eu, não tem filhos?

E as mudanças radicais na nossa vida?

As viagens para longe? As saídas à noite?

Os copos de vinho, de cerveja ou de gin?

Tenho mesmo medo de ser mãe, confesso.

mãe e filhos

Vamos fazer contas?!

Durante nove meses não há nada de viagens, saídas à noite e copos.

Depois mais seis de amamentação, se tudo correr bem (sim, eu que também pode ser menos).

Vais deixando a criança aos poucos em casa de familiares, mas depois chega a uma fase em que ela começa a deixar de querer dormir fora e só quer estar com os pais, entretanto já passaram 10 anos.

Também há aquela fase em que se queres dormir umas horas à noite és obrigada a pô-la na tua cama e aí dizes igualmente adeus ao sexo.

As birras acontecem até casar e ter outra pessoa para a aturar. Ah, é verdade já não é uma criança.

Eu tenho medo de ser mãe e quase pânico!

pezinhos

Claro que estas contas são apenas por alto, existem situações muito piores.

Mas claro que acredito que a dor e o sofrimento é mais do que justificada pela causa.

Muito provavelmente terei comentários de pessoas que vão dizer que não mudaram nada nas suas vidas.

Que as suas crianças sempre dormiram sonos tranquilos e nas suas camas ou que continuaram sempre a ter uma vida sexualmente ativa.

Estou ansiosa que comentem e que me ajudem a tirar da cabeça de que uma criança pode ser parecida com um bicho papão.

No entanto, não liguem muito ao que eu digo.

Este texto é simplesmente a minha visão irónica e exagerada de algo que anseio e temo ao mesmo tempo.

Afinal de contas, já sou uma mulher casada e estou perto dos trinta.

P.S.: Também consigo imaginar as coisas boas de ser mãe e ter filhos e não sou insensível às pestinhas que por aí esbanjam doçura com um simples olhar.

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