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As Teorias da Elsa

Um blog que pretende motivar, inspirar, informar e dar a conhecer sítios e lugares surpreendentes.

As Teorias da Elsa

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Entrevistas: Uma creche destinada a todos os seres livres!

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Já imaginaram deixar os vossos filhos num espaço onde podem realmente brincar livremente e ser felizes? Na Casa SerAmor isso é possível! O tempo que passam nesta creche é aproveitado em prol do desenvolvimento da criança. À segunda-feira cozem pão, à terça têm equitação, à quarta integram um atelier de expressão artística, à quinta fazem yoga e carpintaria, à sexta dedicam-se à horta, ao sábado e ao domingo mostram tudo o que aprenderam aos pais. Baseada na pedagogia Waldorf, esta creche concede aos pais o sonho da criança continuar a receber, mesmo sem eles por perto, muito AMOR. E tudo começou pelas mãos da jovem mãe Patrícia Lopes Ferreira, que com dois filhos encontrou essa mesma necessidade.

 

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Como nasceu a creche Casa SerAmor?

Esta casa nasce de um sonho: ver crescer uma sociedade com pessoas mais saudáveis, harmoniosas e humanistas, capazes de contribuir para um mundo melhor.

Com o nascimento do meu primeiro filho, o sonho ganhou forma e a luta para que esta casa fosse possível começou. Percebi desde logo que aquele pequeno Ser precisava de muito mais do que lhe estava a ser oferecido. Iniciei a minha pesquisa e encontrei a pedagogia Waldorf que respondia a algumas das minhas questões. Apresentava-me aquilo em que eu acreditava e oferecia-me a tranquilidade de poder ver o meu filho crescer saudável.

A este sonho junta-se a paixão pela natureza e pela liberdade. 

 

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Qual é o conceito da Casa SerAmor?

É um projeto educativo onde as famílias e a comunidade envolvente têm uma participação e são um contributo fundamental para o sucesso da evolução das crianças.

Valorizamos a conceção e o desenvolvimento do ser humano. Apostamos na liberdade e acreditamos que o aspeto sensorial é crucial nos primeiros sete anos de vida.

Todos os dias o ser humano passa por etapas com características e necessidades diferentes. O ensino na nossa casa é fundamentado na pedagogia Waldorf e estruturado com várias atividades: brincadeiras ao ar livre, atividades rítmicas, preparação da refeição, brincadeiras criativas, narração de contos, pintura, modelagem, costura, desenho, bordados e cuidados da horta e do jardim.

Nestas idades as crianças aprendem por imitação e seguindo o exemplo dos adultos que a rodeiam. O educador Waldorf tem, por isso, nas suas mãos a responsabilidade pela forma como realiza as diferentes tarefas. O que ele pensa, sente e faz irradia nos seus atos e a criança, ao ver, quer fazer da mesma maneira.

 

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O que é que destacas como mais importante neste tipo de aprendizagem?

Os ritmos! O dia-a-dia é marcado por ritmos diários, semanais, mensais e anuais. Nas atividades semanais organizamo-nos de forma rítmica de modo a que em cada dia da semana se faça uma atividade diferente (aguarela, desenho, modelagem ou pão). Esta regularidade ajuda as crianças a situarem-se no tempo, dando-lhes segurança e confiança. Mensalmente a jornada escolar gira em torno de um tema nas rodas rítmicas como: canções, poemas ou contos. O ritmo anual marca a celebração das festas do ano, onde as crianças absorvem os acontecimentos mais destacados das estações.

 

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Enquanto mãe quais foram as principais necessidades que precisaste de ver colmatadas no que respeita aos métodos de ensino?

Quando Dizemos que nos inspiramos no ensino Waldorf significa que não seguimos nenhuma pedagogia de forma fiel e exclusiva. Essa era a minha grande luta! Colocar o meu filho – que é um ser complemente livre – num espaço fechado durante duas estações do ano seria pôr limites à sua liberdade. Brincar é a real tarefa de uma criança até, pelo menos, aos sete anos e perceber que a escola se transformou numa estrutura fechada, pesada e (des)organizada fazia-me tremer. Limitar o que a criança faz é agradável para o adulto, mas muito castrador para a criança. Encontrar uma solução que respeitasse o tempo, o ritmo e o temperamento das crianças foram as principais razões que me levaram a construir esta casa!

 

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Como é que as crianças encaram esta liberdade que a Casa SerAmor lhes concede, bem como o contacto com a natureza e os animais?

Tranquilamente e de forma muito positiva! Quando estão em contacto com a natureza libertam a sua essência e reencontram-se. Revelam as suas características mais profundas, ganham autoconfiança, autonomia e responsabilidade sobretudo sobre as suas ações.

Quando recebemos uma criança que vem de outros infantários, ao início, tende a confundir liberdade com falta de regras – pois o sistema é de tal forma castrador que eles não entendem para que servem todas as regras. Aqui, bastam dois ou três dias para eles se ligarem à sua essência e resgatar o sentido da liberdade. 

Se estivermos perante crianças que vêm de casa, e aqui também vai depender da estrutura familiar, reconhecem facilmente a diferença entre a liberdade e a regra.

 

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E os pais?

Os pais muitas vezes pensam que estão preparados para deixar a criança ser livre, mas na realidade nem todos estão. Ter liberdade para Ser não é fazer tudo como e quando se quer! Na maioria das vezes, os conceitos misturam-se. 

Muitos temas, atividades ou hobbies tornam-se moda e a educação alternativa não é exceção! Neste caso, em que os pais procuram a nossa casa porque a pedagogia está na berra, mas que não vivem ou sentem esta forma de estar na educação – chegam aqui e ficam surpreendidos com o que vêem. Decerto, continuam a imaginar a escola tradicional, mas com atividades diferentes. Quando lhes falamos do contacto com a terra, das brincadeiras nas poças de água, em subir às árvores e em pintar com o corpo… fogem a sete pés!

Depois temos os pais que sentem que o sistema está a falhar e que as crianças precisam de mais (mesmo que não saibam ao certo o quê). Procuram o contacto com a natureza e uma forma mais livre de estar e quando chegam a nossa casa ficam fascinados! Deixam-se encantar pelo cheiro da terra, pelos animais, pelos sons e por nós. Têm dúvidas e questionam, dão ideias e querem ser dinâmicos e participativos. Acreditam, tal como nós, que assim é que deve ser construída a educação: com uma ponte entre a casa e a escola.

Por fim, temos os pais que escolhem viver de forma completamente livre, orgânica, são 100% vegetarianos e vivem em comunidade. Procuram-nos na expetativa de sermos uma associação onde as crianças se podem reunir e brincar sem custos e em livre demanda. Desanimam-se quando percebem que não somos 100% vegetarianos e que somos uma empresa.

No geral temos sido muito bem recebidos pela população! Os pais confiam em nós e vêem, de facto, diferenças no comportamento dos filhos. Percebem como eles ganham autonomia e confiança de uma forma natural.

 

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Com capacidade para 20 crianças, a Casa SerAmor é um espaço com três áreas:

  • Duas salas para atividades com bebés e crianças (dos 9 meses aos 6 anos);
  • Uma sala aberta a ATL com apoio ao estudo – ateliers com didáticas especificas. Aberto a crianças que frequentem o 1º e 2º ciclo no ensino tradicional e que queriam nos seus tempos livres estar em contacto com a natureza e desenvolver a sua criatividade de forma livre e natural;
  • Espaço de cura e consciência (reiki, meditação, yoga, terapias holísticas e workshops) – em horário pós-laboral e aos fins-de-semana.

 

Fica a saber mais detalhes sobre esta casa com particularidades tão especiais através do facebook ou dos seguintes contactos: 919028772 / 932543444

 

O que é a pedagogia Waldorf?

É uma abordagem pedagógica baseada na filosofia do austríaco Rudolf Steiner, fundador da antroposofia. A pedagogia procura integrar o desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico dos alunos. O objetivo é desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis. As escolas e os professores possuem grande autonomia para determinar o currículo a aplicar.

Existem atualmente mais de 1000 escolas Waldorf no mundo e cerca de 2000 jardins de infância localizados em mais de 60 países. É um dos maiores movimentos educacionais independentes do mundo. Em Portugal já existem cerca de 10 casas/ escolas.