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As Teorias da Elsa

Um blog que pretende motivar, inspirar, informar e dar a conhecer sítios e lugares surpreendentes.

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Entrevistas | E Depois De Um Acidente De Automóvel Quase Fatal?

Entrevista Miriam Mano Ferreira Zip Zap

 

Faz hoje, 30 de Novembro, um ano que Miriam Mano Ferreira, uma jovem de 30, sofreu um acidente de automóvel que lhe poderia ter tirado a vida.

 

Depois de um despiste na zona do Guincho, o veículo ligeiro onde seguia com um amigo, acabou por incendiar-se.

 

Em criança, ela "entrou" pela casa dos portugueses através do programa Zip Zap, da SIC, hoje trago-vos apenas uma das suas histórias de adulta porque, na verdade, este acidente só contribuiu para a tornar mais forte, como aliás, podem comprovar vocês mesmos através de cada uma das suas palavras nesta entrevista.

 

Entrevista Miriam Mano Ferreira Zip Zap

 

A Miriam é minha amiga e eu fui uma das pessoas que recebeu, em choque, a notícia. Não sabíamos o que pensar ou o que fazer. Do lado de fora existia muita impotência, sobretudo da minha parte!

 

Do lado de dentro existia uma força sem medida que tinha um objetivo bem definido: VIVER!

 

Entrevista Miriam Mano Ferreira Zip Zap

 

Leiam estas palavras que ela escreveu (precisamente hoje, 30 de Novembro) e deixem-se inspirar por esta mulher incrível:

 

"30 de Novembro de 2016:

Por volta da uma da manhã sou conduzida, enquanto vou a dormitar no banco do pendura.

Madrugada de 30 de Novembro:

Meio a dormir, meio acordada sinto a velocidade a aumentar...

Madrugada de 30 de Novembro:

Penso para mim (sem certeza se cheguei a verbalizar): 'Mas porque vais tão depressa?!'

Madrugada de 30 de Novembro:

Ouço na minha cabeça: 'Deixa lá, se não abrandas a bem, hás-de parar a menos bem'.


Silêncio...
Mandaram suspender o tempo...

Ouço um estrondo; deixo de sentir o corpo, como se a minha alma tivesse sido cuspida.
Não sinto o corpo. Não sinto o corpo, não sinto... o corpo.


Silêncio...
Ouço a voz dele: 'Anda, temos de sair do carro, está a arder!'.

'Não. Não consigo. Eu não consigo mexer-me!'.

 

Num esforço sobre-humano... Ele sai do carro. Ouço-o a aproximar-se e a abrir a minha porta. Enquanto me tenta tirar do carro percebe que tenho o pé preso. Eu tinha o pé preso, mas ele conseguiu e arrastou-me para fora do carro.


Ficámos os dois ali, a poucos centímetros, enquanto o carro ardia, a ouvir aquele crepitar e, apesar de não sentir o corpo de dentro para fora, conseguia sentir a intensidade do calor que vinha das chamas, a queimar de fora para dentro.

 

Entreguei-me e fui embora... Não havia nada a fazer ali!

 

Madrugada de 30 de Novembro: Ouço vozes distantes... Uma voz masculina ao longe, numa intermitência de consciência, perguntou-me se havia mais alguém no carro... 'Não'.

 

Fui embora... Não havia nada a fazer ali!

 

Já no hospital...
Ouço o barulho das rodas a percorrerem o caminho do corredor.
Sinto a urgência a sair pelos poros de alguém. Sinto a adrenalina a correr-lhe no corpo. Sinto uma mão a apertar a minha e ouço: 'Miriam! Miriam! Então?'

 

Abro os olhos, com a sensação de ter dormido muito tempo (como quando nos acordam da sesta). E vejo ali à minha frente Ele - como se estivesse a ver um anjo- 'Por favor, avisa alguém...', pedi eu, reunindo um último esforço para conseguir falar...

 

Fui embora... Não havia nada a fazer ali!

 

'MIRIAM!'... Um Grito. 'Eu preciso que entendas que te estou a tentar salvar a vida. É grave, por favor, colabora!'.

 

E... fui embora... Não havia nada a fazer ali!

 

Madrugada de 30 de Novembro de 2016: A vida conduziu-me para um Renascer.

A vida está desenhada. As escolhas estão feitas. O livre arbítrio está de mãos dadas com o destino.
A vida ensinou-me a respeitar o Tempo.
A vida Fez questão de me mostrar que quando chega, chega!

 

A Vida tem um Pai e uma Mãe.
E como uma querida amiga diz: 'Há momentos em que a mãe entra no quarto, depois de um mês a pedir-nos para arrumarmos o quarto, e diz: Agora chega, vais arrumar o teu quarto e não fazes mais nada da tua vida enquanto não o fizeres!'


Há quem lhe chame Saturno em movimento retrógrado. Saturno, o Senhor do Tempo. 
Passei o mês de Outubro a desejar, entre dentes, que Novembro fosse abolido do calendário.
Tive tanto medo de passar pelo mês de Novembro... Tantas vezes me debati entre o medo que sentia do que poderia acontecer e o que eu sabia que não podia simplesmente fugir.

 

Eu sabia que era importante este primeiro ano.
Eu sabia que ia trazer-me mais consciência.
Também sabia que me ia fazer reviver de forma ativa aquela noite.

 

Eu sabia.
E por saber, decidi escrever tudo isto.
Para celebrar e honrar o meu Renascimento.
Reconhecer a Força que Sou.
Respeitar-me. Respeitar o meu corpo. Amá-lo com cada cicatriz.


É como se a tua Alma fosse nova ou o teu corpo fosse em segunda mão.
É como se dois seres distintos se estivessem a conhecer pela primeira vez.
É como se uma amizade se estivesse a formar. Daquelas amizades para a vida. Das amizades mais genuínas. O único tipo de amizade que eu quero daqui para a frente!
E por isso, com muito respeito, tenho feito uma triagem de quem eu quero que fique na minha vida e quem eu não quero que fique.

 

Com muito respeito por todos, mas acima de tudo por mim. Porque a vida é suspeita. A vida deve ser vivida com a maior integridade possível. E isto é um processo de transformação. Vai sofrendo alterações. O que hoje é, amanhã provavelmente não será mais.

 

Fui embora... Não havia nada a fazer ali, mas voltei, porque a Vida que eu escolhi é para ser vivida AQUI!"

 

Entrevista Miriam Mano Ferreira Zip Zap

 

A descrição que faz deste acidente é arrepiante e coloca qualquer leitor ao seu lado. Foi isso que senti e por isso achei que fazia sentido partilhar este exemplo de coragem, força e de vontade de viver!

 

E achei que fazia igualmente sentido contextualizar-vos através de uma pequena entrevista...

 

Elsa - E o que aconteceu a seguir?

Miriam - Da brutalidade do embate (o carro deslocou-se cerca de 90 metros, por isso, devíamos ir a mais de 120 Km/h), resultaram multiplas fraturas, nomeadamente na coluna vertebral, da L1 à L5 (cinco vértebras fraturadas, com o risco de ter de ser operada à coluna), mas o mais grave foi ter lacerado o diagrama (ele ficou rasgado ao meio e como é o principal músculo da respiração, teve de ser cozido. Parti três costelas que me perfuraram o intestino (sendo retirado uma parte) e fui operada a toda a zona torácico-abdominal. Depois fiquei no recobro e fui transferida de cascais para o hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, para a ala de neurologia (dadas as fraturas lombares, havia o risco de eu não voltar a andar). Induziram-me o coma durante cinco dias, porque os danos internos eram muitos e eu não podia respirar as quantidades de oxigénio consideradas normais.

 

Induziram-me o coma durante cinco dias, porque os danos internos eram muitos e eu não podia respirar as quantidades de oxigénio consideradas normais.

 

E - O que aconteceu quando acordaste do coma induzido?

M - Acordei dia 5 de Dezembro de manhã. Achava que era a manhã logo a seguir ao acidente, porque a nível consciente tu desligas, perdes a noção do tempo. Estive nos cuidados intensivos mais três dias e regressei ao hospital de Cascais dia 8 de Dezembro. Dia 9 recebi a visita de um ortopedista e tive de voltar ao bloco operatório. Tinha os ligamentos dos dedos dos pés desfeitos. Segui para o bloco e acordei a chorar de dores. Foi a única noite verdadeiramente má que tive.

 

Eu não tinha grandes chances de sobreviver. E caso sobrevivesse, o mais provável era ficar com danos graves.

 

E - Tiveste de reaprender até a respirar...

M - Cansava-me com facilidade... dizia meia dúzia de palavras e não conseguia mais. Era muito esforço. Logo no dia 5 comecei a fisioterapia ao diafragma. Quando voltei a Cascais fazia fisioterapia todos os dias de manhã ao diafragma e dia sim, dia não, fazia os pensos ao pé, à barriga e à nádega esquerda (porque fiz um buraco na nádega quando fui arrastada pelo chão). Só tive alta dia 19 quando chegou um colete que se chama lombostato, que mantém a coluna direita. Claro que para mim foi uma aflição ir para casa e estar completamente dependente de ajuda para tudo...

 

Miriam Mano Ferreira

 

E - Foi um milagre teres sobrevivido?

M - Eu não tinha grandes chances de sobreviver. E caso sobrevivesse, o mais provável era ficar com danos graves. Felizmente, para cumprir o meu "contrato de vida", eu consegui recuperar totalmente. O acidente foi uma retificação da minha rota.

 

Em menos de um mês eu saí do hospital, quando inicialmente era impensável isso acontecer em tão pouco tempo.

 

E - E foi uma recuperação bastante rápida...

M - Os médicos ficaram todos super admirados quando me viram! Porque quem olhasse para mim não diria que eu tinha acabado de sofrer um acidente daqueles. Em menos de um mês eu saí do hospital, quando inicialmente era impensável isso acontecer em tão pouco tempo. Foram meses de fisioterapia para recuperar a mobilidade e a força dos dedos e da coluna. Tive alta da fisioterapia em Julho.

 

E - E hoje partilhaste de uma forma sublime tudo o que viveste naquele dia...

M - Sim, porque na verdade eu sinto que o acidente me passou ao lado. A nível de consciência do que realmente aconteceu. Eu ia a dormir... Tive alguns ataques de ansiedade esporádicos, mas antes que se agravassem iniciei sessões de arte-psicoterapia para me ajudar a desenrolar as emoções que podiam estar "escondidas" por detrás do positivismo.

As pessoas enquanto.não trabalharem a morte, não a aceitarem como parte de um processo natural, vão sempre sofrer com ela. E o que eu descobri, aliás validei, foi que a morte acontece só ao nível do corpo físico. É como um pacote de leite... A embalagem é útil para conservar o conteúdo e quando deixa ter conteúdo é descartada, o conteúdo é transformado! Nada desaparece... E nós somos assim. Mas a nível cultural, há a questão do apego à imagem, ao que é palpável...

Miriam Mano Ferreira

 

E- Já agora... Fala-me também do teu projeto de música e um pouco de como ela está presente em ti desde pequena! Sim, tu entraste pela televisão dos portugueses ainda muito nova... 

M - Eu tinha 11 anos e andava num coro infantil em Cascais, chamava-se Mezzoforte. Era um passatempo, eu gostava do convívio e de estar ali em grupo a cantar...

Um dia fui convidada por um senhor que era responsável pelo coro adulto para integrar um programa infantojuvenil na SIC, o Zip Zap. 

O Buéréré tinha acabado e iam criar outro programa do género, mas com outras nuances, nomeadamente, em vez de ter só uma apresentadora, ter várias e em vez de serem adultas, serem da faixa etária do público alvo. E assim foi! comecei a trabalhar como apresentadora, cantora, dançarina e atriz. Fazíamos cenas de humor, trabalhávamos com alguns grupos musicais como os Milénio, os Anjos ou o João Portugal. Fazíamos mini-novelas, viajávamos pelo país... 
Foi isto que fiz até aos 14 anos. Sendo que no último ano fomos para a RTP, acabando por terminar por questões financeiras.
Mas eu sempre gostei de cantar e atualmente não sei bem como ou quando, gostava de ter um projeto musical a sério. Por enquanto vou brincando aos covers, mas adorava ter temas originais!

 

Para quem não se recorda do programa Zip Zap, da SIC, aqui fica um cheirinho:

 

 

Espero que tenham gostado e que se tenham inspirado neste exemplo de coragem e superação...

Esta mulher é uma das heroínas da minha vida!

 

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