Alexandre Bento Freire | Deixou Tudo E Sonha Percorrer O Mundo

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 Gwangju, na Coreia do Sul
 Gwangju, na Coreia do Sul

Alexandre Bento Freire vivia em Portugal e tinha um trabalho, como tantas outras pessoas, mas conhecer o mundo tornou-se a sua meta de vida.

Eu conheci-o antes de decidir partir à aventura e de deixar tudo para trás.

Depois fui acompanhando aquilo que partilhava na sua página do Facebook.

A minha curiosidade pelas suas viagens foi ficando cada vez mais intensa, até que um dia nos voltámos a encontrar.

O sorriso estampado no rosto de quem viaja com paixão e não muda uma vírgula no que deixou para trás fascinou-me totalmente.

Essa felicidade está espelhada em cada resposta nesta entrevista que hoje partilho convosco.

Conheçam a grande aventura deste viajante com uma bagagem cheia de sonhos e novas descobertas:

 

Elsa – Como e quando é que começou a tua aventura?

Alexandre Bento Freire – A minha aventura começou no dia 26 de Janeiro de 2010 para conseguir chegar no dia 30 às Grutas Batu (na Malásia) para ver o festival Thaipusam, que é absolutamente inimaginável.

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Thaipusam é um dos mais extremos festivais hindus e leva milhões de devotos a demonstrarem a sua fé através de rituais que incluem perfurações no corpo com ganchos e espetos
E – O que fazias antes a nível profissional?

A – Antes da minha viagem era engenheiro de software e apaixonado pelo meu trabalho. Vivia na Costa de Caparica e trabalhava remotamente para uma empresa sueca.

 

Viajar sempre foi uma paixão, mas estava preso a uma carreira

 

E – Porque decidiste abandonar tudo e abraçar o desconhecido?

A – Em 2008 fui de férias para a Austrália e foi ai que conheci muitas pessoas que deixaram os seus empregos para se tornarem viajantes. Apesar de ter sido com essa viagem que tive a ideia de deixar o meu emprego para viajar, só em 2009, após uma viagem à Tailândia é que tomei essa decisão. Viajar sempre foi uma paixão, mas estava preso a uma carreira.

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Khao Sok (Tailândia)
E – Por onde começaste?

A – Ao sair de Lisboa fiz uma breve paragem por Oxford e depois fui para Kuala Lumpur na Malásia.

E – Qual era o teu objetivo inicialmente?

A – A minha ideia inicial era fazer uma viagem de seis meses a um ano pela Malásia, Tailândia, Laos, Camboja e Vietname, o resto era uma incógnita. Acabaram por ser três anos e meio a viajar.

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Chengde, na Républica Popular da China
E – Quantos países (ou outros locais) já conheces e quais?

A – Antes da viagem: Andorra, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Egito, USA,  Finlândia, França, Gibraltar, Hungria, Indonésia, Itália, Luxemburgo, Mónaco, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Paraguai, Reino Unido, San Marino, Suécia, Suíça, Tailândia, Tunísia, Turquia, Uruguai e Vaticano.

Durante a viagem de três anos e meio (por ordem): Malásia, Singapura , Tailândia, Birmânia, Laos, Camboja, Vietname, China, Coreia do Sul, Índia, Filipinas e Brunei.

Desde que estou em Taiwan: China, Indonésia, Japão, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.

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Kaohsiung, em Taiwan, onde Alexandre vive atualmente
E – Porque escolheste Taiwan para viver? O que fazes?

A – Foram três anos e meio a viajar em condições absolutamente mínimas. Sentia que precisava de uma paragem para repensar e encontrar uma forma de ir mais longe e fazer algo mais.

Nunca tinha ido a Taiwan, mas durante a viagem conheci várias pessoas que lá viveram e me falaram muito bem. Também queria  aumentar os meus conhecimento de língua chinesa.

Acabei por ficar em Kaohsiung, no sul de Taiwan. As razões são várias, mas sobretudo porque as pessoas locais são muito amigáveis e honestas; é um clima subtropical (temperaturas médias anuais inferiores a 20º e mínimas anuais superiores a 0º); foi fácil fazer amizades; vivo muito próximo da montanha e da praia. Criei uma empresa on-line e tem sido um trabalho árduo desde então.

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Kanchanaburi, na Tailândia

Os media transmitem uma imagem distorcida do mundo

 

E – O que mais te surpreendeu nesta aventura?

A – O quanto os media transmitem uma imagem distorcida do mundo. A grande maioria das pessoas que nunca viajou por estes lados acredita em coisas que nada têm a ver com a realidade.

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Na pequena aldeia de Tad Lo, no Sul de Laos
E – Que país mais recomendas para explorar e partir à descoberta? Porquê?

A – Essa é uma pergunta muito subjetiva pois depende do gosto de cada um. No meu caso, a China foi amor à primeira vista, pois comecei pelo sudoeste, que é pouco explorado. Há pessoas que preferem a Índia porque é tudo muito intenso. No que respeita a praia, a Tailândia é a minha preferida.

Mas todos os países são diferentes.

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Na muralha da China ou na Grande Muralha, como também é conhecida – uma estrutura de arquitetura militar construída durante a China Imperial. Tem 21 196 km
E – O que é essencial saber quando se pretende deixar tudo e encontrar um novo rumo na vida (como o teu)?

A – Não ter medo do desconhecido e muito menos de viajar sozinho ou sozinha. Não é preciso planear a viagem toda, muitas vezes seguimos o instinto. Apenas planeio a ida para os locais mais caros ou onde é época alta, nesses casos convém fazer um plano para evitar grandes custos.

É preciso estar atento ao visto para cada país, de resto não considero que existam outras preocupações.

O mais difícil é quando a viagem termina e temos de regressar à realidade.

 

Foi a maior aventura da minha vida e a melhor coisa que fiz

 

E – Recomendas a tua experiência? Porquê?

A – Sempre espremi os meus recursos de forma a ir o mais longe possível e esta viagem não foi exceção. Viajando sempre com o mínimo, por vezes é muito difícil, no entanto, foi a maior aventura da minha vida e a melhor coisa que fiz.

Elephant Festival, na Índia
Elephant Festival, na Índia
E – Pretendes regressar a Portugal?

A – Não tenho planos para regressar de vez a Portugal. Gostaria de fazer outra longa viagem. Só a hipótese de desenvolver um negócio na área do turismo de aventura ou de contrair alguma doença grave me poderiam fazer mudar de opinião. 

Acho que o importante não é ter uma longa vida, mas que esta seja a vida que nós sonhamos

 

E – De que forma é que esta experiência mudou a tua vida, a tua forma de estar e de ser?

A – Numa  palavra: tudo. Antes era apaixonado por ciência, arte, computadores, tecnologia, pelo meu trabalho, por caminhar e viajar. Depois da viagem, tudo o que faço em cada momento do dia é a pensar em poder caminhar de novo onde nunca caminhei, seja em cidades ou aldeias, em montanhas ou vales, seja onde for…

Não importa a idade, onde, como, o importante é ir.

O gosto pela natureza e pela vida selvagem passou a ser uma necessidade.

Só vivemos uma vez e acho que o importante não é ter uma longa vida, mas que esta seja a vida que nós sonhamos.

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Planície dos Jarros (Plain of Jars) – uma vasta área, em Laos, onde existem enormes jarros, alguns com mais de 1000 kg e mais de três metros de altura. A sua origem é desconhecida.

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Eu sou a Elsa e tenho 30 anos. Sou uma mulher feliz e cheia de teorias. Adoro viajar, estar por dentro das novidades de lifestyle e casei-me em 2017, por isso, também tenho muitas dicas para vos dar. Espero que gostem do meu cantinho!

13 COMENTÁRIOS

  1. Adorei a entrevista! Obrigada pela partilha.

    “Abandonar” a segurança por uma viagem não é para qualquer um!
    Adoro viajar, mas não sozinha e muito menos sem ter algo seguro a que me agarrar. Mas para as mulheres as coisas são sempre muito diferentes

  2. Obrigada eu por visitar o meu cantinho! Acho que cada vez mais começa a existir uma mudança no que respeita às mulheres. Existem muitas a aventurar-se pelo mundo sem terem qualquer problema. Eu própria já viajei sozinha como pode ler aqui (http://asteoriasdaelsa.com/a-viagem-que-mudou-a-minha-vida-24092). Felizmente estamos a ter cada vez mais liberdade e a correr menos riscos… Agora, é preciso ter muita coragem e força de vontade para pensar em partir à descoberta do mundo… Beijinhos 😀

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