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As Teorias da Elsa

Um blog que pretende motivar, inspirar, informar e dar a conhecer sítios e lugares surpreendentes.

As Teorias da Elsa

Um blog que pretende motivar, inspirar, informar e dar a conhecer sítios e lugares surpreendentes.

Adolescentes | Como Sobreviver Na Escola

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"Sou adolescente, vou às aulas e tenho amigos dia sim, dia não... Como sobrevivo?"
 
As questões são mais que muitas... Mas calma... é tudo uma questão de tempo. Achamos que não temos amigos? Que ninguém gosta de nós?
 
Os receios invadem até os mais despreocupados, se não for pela surpresa de encontrarem caras novas, será por já não se darem bem com as caras velhas...
 
Para os pais a preocupação dá lugar ao descanso também um descanso... Pelo menos sabem onde os filhos estão... Por outro lado, se têm filhos complicados... Nada muda.
 
Este texto é um misto! É tanto para os pais, que possivelmente até se revêm em algumas palavras, como para os adolescentes. 
 
Gostava sobretudo de vos dizer que aproveitem todos os momentos e dias desta vossa fase. São recordações que ficam guardadas na memória para sempre e que, acreditem ou não, são a base do vosso futuro.
 
Não me considero velha o suficiente para dar qualquer tipo de ensinamento, mas posso muito bem partilhar as minhas experiências divididas pelos vários anos letivos por onde passei. Se vos serve de consolo, tanto fui uma excelente aluna como péssima. Responsável, completamente aluada e até muito senhora do meu nariz.
 
De uma coisa sempre tive a certeza: adorava ir à escola (tirando aqueles dias em que tinha de entrar às 8h da manhã e sair já de noite. Ninguém merece!).
 
E como eu gostava de ir à escola...
 
Lembro-me que o meu primeiro dia de aulas foi inesquecível... Entrei para a escola aos seis anos. Como a maioria das crianças, faltavam-me os dentes da frente, mas estava super feliz.
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Sim, esta sou mesmo eu na primária!
 
Ir à escola era o realizar de um sonho. Um sonho onde finalmente tinha crianças da minha idade para brincar (Sim. Não andei no infantário, nem tinha grandes amigos com idades próximas). Era fascinada por aquele desconhecido. Um desconhecido que muitos já conheciam...
 
 
E aqui vai uma dica para os pais: Não criem demasiadas expetativas nos vossos filhos. Infelizmente nem todas as crianças são um doce umas para as outras... Estão a formar as suas personalidades! O primeiro ano é um ano de adaptação... Para mim não foi nada fácil! Acredito que a minha experiência seja, atualmente, um exemplo raro, pois cada vez mais as crianças vêm da pré-primária e já estão perfeitamente ambientadas com outros miúdos. Nesse caso, a adaptação será muito mais simples.
 
 
Para mim não foi mesmo e acho que apenas quando cheguei ao 5º ano e mudei de escola consegui superar o trauma da habituação. Era boa aluna, tinha excelentes notas, dava explicações a alunos com maior dificuldade e não me importava nada que copiassem por mim (eu também espreitava para os testes dos meus colegas fixes e bons alunos. Afinal de contas, quem não tem dúvidas?!).
 
 
No 6º ano tivemos elementos novos na turma. A coisa foi descambando em termos de responsabilidade, mas consegui manter as boas notas.
 
Deixei de gostar de ir às aulas... à escola não! 
 
No 7º ano a minha turma foi distribuída por duas ou três mais problemáticas. Desastre total! Já não tinha boas notas e quase que nem passava o ano. O que eu queria era "laurear a pevide", sobretudo nas aulas de inglês. Tive uma professora que ainda usava ponteiro para o quadro (e para tudo) e, digamos que não era uma simpatia... Logo, nas aulas dela o meu lugar cativo era sempre na última fila. Meninos e meninas, não façam isso... Nunca! Não imaginam a dificuldade que tive para apanhar o "fio da meada" em inglês (que é apenas uma das línguas mais importantes a nível mundial). Foi nesta fase que demos mais importância ao Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Tinha uma coisa fantástica que era o FunCenter, o maior parque de diversões indoor da Europa. Até tinha Montanha Russa... E faltar às aulas também começou a fazer parte do pacote! Mas confesso que não foram muitas vezes... Rapidamente ganhei tino quando o ano se aproximava do fim e corri sérios riscos de não o passar... Se houve coisa que nunca gostei foi de perder tempo... E não passar um ano era francamente desperdiçar uma catrefada de dias da minha vida. Apliquei-me e passei! Resolvi mudar de escola...
 
O 8º e o 9º foram anos zombie. Fazia e estudava essencialmente o que tinha mesmo de ser. Conheci pessoas fantásticas, mas também "primas" (quero dizer: filhas de "tias" e "tios" - espero fazer-me entender), absolutamente insuportáveis. Como a escola ficava numa zona do "bem" foram dois anos com altos e baixos. Já para não falar que tive o meu primeiro "relacionamento sério" (o que significava darmos uns beijinhos nas escadas da escola todos os dias à mesma hora, sem nunca nos vermos fora dali. Mas trocávamos muitas mensagens... E, malta, vocês nem vão acreditar: O meu telemóvel tinha um ecrã verde e antena. Oi?! Antena?! Há quantos anos é que os telemóveis não têm antena?! Desde o Nokia 3310... Não?! Sim... Estou quase a fazer 30 anos...).
 
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10º ano! Ui... E escolher o curso?! Pois é... com 15 anos escolher a "merda" de um curso é dose! Bora lá fazer exames psicotécnicos... No dia em que recebi o resultado pensei que estava safa, mas enganei-me redondamente... Só servem para percebermos as nossas aptidões e capacidades (que sorte... por acaso ainda não sabia!). Então... O que é que aprendi? Que tinha aptidões para escrever, podia ter sucesso em artes, mas também tinha grandes capacidades em ciências. É caso para dizer: WTF (What The Fuck)?! Então vou fazer mesmo o quê? "Agora tens que decidir", disse-me a psicóloga da escola. A sério?! Então para que servem aqueles exames?! Nunca percebi! Resultado: Escolhi o agrupamento um... Das línguas e escrita e letras. Já nem me lembro bem como se chamava... Até porque no último dia, possível, resolvi mudar e fui para o agrupamento de ciências. Vieram as férias de Verão. Fiz uma série de coisas como atriz, figurações e basicamente ganhei os meus primeiros trocos. Fiz aquele 10º ano completamente contrariada. Mas as histórias e as experiências valem sempre a pena quando se conhecem pessoas fantásticas. Que também foi o caso... Ganhei amizades para a vida! Passei o ano, mas tomei a decisão que mais dois anos ali... Era "de cortar os pulsos". Procurei o que realmente gostava: Cursos de teatro. Fui à escola Profissional de Teatro de Cascais com uma amiga e demorámos um dia inteiro a lá chegar... E ainda apanhámos boleia de pessoas desconhecidas. Naquela fase da minha vida sabia que ir de Lisboa para Cascais era muito difícil. Também nunca quis complicar a vida aos meus pais... Encontrei um outro curso que também me podia satisfazer mesmo pertinho de casa... Era de jornalismo e técnicas audiovisuais.
 
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 10º, 11º e 12º anos. Foram os anos! Fui muito feliz, muito infeliz e assim, assim... Mas encontrei o equilíbrio e tomei as decisões que mudaram a minha vida. Senti-me uma mulher adulta durante aqueles três anos. Senti-me capaz de enfrentar todos os obstáculos que surgissem na minha vida dali para a frente. Chorei, sorri, amei... Sofri e explodi... Enfrentei medos e cresci! Estes anos não serviram apenas para aprender nas aulas, mas também fora delas. Era uma aprendizagem constante, dentro e fora da escola. Foi uma experiência da qual não abdicava nem dos bons, nem dos maus momentos. Fizeram-me ser quem sou! Fizeram-me encontrar a felicidade em cada pequeno detalhe da vida e a valorizar mais cada vivência. Tive a minha primeira paixão, o meu primeiro amor, a primeira desilusão e até a primeira aceitação. Percebi que se as lombas estão lá para abrandarmos é simplesmente isso que temos de fazer.
 
Andar na escola é tudo isto e muito mais... Por isso, aproveitem cada momento de forma única!
 
Crianças, jovens e até adultos... Por favor, tirem o melhor partido da vida SEMPRE! Nós estamos cá para VIVER! "Então porque é que sofremos tanto?", perguntam vocês... Porque a vida só faz sentido com altos e baixos. Por isso, é que primeiro somos bebés, depois crianças, a seguir adolescentes, somos adultos, logo logo passamos a ser seniores e depois (seguindo o ciclo normal da vida) morremos!
 
O meu manual de sobrevivência é baseado em todas estas, e muitas outras, experiências. Espero francamente que vos seja útil... Se não for, ao menos deixem um comentáriozinho para eu conhecer também as vossas peripécias...
 
5 Dicas do Meu Manual de Sobrevivência:
 
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  • No primeiro dia de escola, das vossas vidas, sorriam, mesmo que não tenham dentes. Sorriam às professoras, aos funcionários da escola e, sobretudo a todos os vossos colegas. P.S.: Pais: como os vossos filhos ainda não sabem ler, digam-lhes que a Elsa (e não é a princesa, é simplesmente a Elsa), aquela que tem umas teorias para tudo, diz que é o melhor que fazem!

 

  • Quando tiverem problemas com os vossos colegas, lembrem-se que têm de ser vocês a resolvê-los. Podem pedir opiniões e conselhos aos vossos pais (e até devem, sobretudo em situações mais problemáticas), mas nunca se esqueçam que são vocês que estão lá todos os dias, por isso, são vocês que têm de arranjar uma estratégia de defesa (e não vale a pena iniciarem aulas de boxe, nem de artes marciais). Violência traz mais violência e o que vocês querem é uma vida tranquila e feliz na escola, certo?

 

  •  Aprendam a não ouvir! Às vezes não precisamos de ouvir todos os disparates que os nossos colegas dizem... Quando não se ouve, não magoa! Se fingimos tantas vezes que não ouvimos os nossos pais quando eles nos pedem para os ajudar em alguma coisa (sim, eu sei que é verdade), também podemos fingir que não ouvimos aquele zumbido que vem lá do fundo do poço dito por alguém que só quer arranjar confusão.

 

  •  Vocês não têm de ser os mais populares, mais giros e mais bem vestidos. Ok?! Cada um é como cada qual... Mas também não precisam de dar razões (algumas vezes até plausíveis) para serem chacota da turma. Dêm-se ao respeito. Sejam vocês próprios, mas com vontade, disponibilidade e paciência para se integrarem.

 

  •  Lembrem-se sempre que respeitar os professores é sempre a regra número um. Primeiro porque são mais velhos, depois porque cada vez é mais difícil ensinar no nosso país e até simplesmente porque devemos respeitar quem tem a ambição e o sonho de ajudar os outros. Os professores tiveram essa ambição de certeza. É preciso ter respeito por alguém que até de cidade precisa de trocar para fazer aquilo que gosta e, muitas vezes, abdicar de estar com a família. Claro que em todo o lado existem exceções e pessoas frustradas é o que mais há, mas vamos vamos fazer um esforço...
 
És adolescente, vais às aulas e agora já tens mais ferramentas para sobreviveres... Espero ter ajudado!
 
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Fotos: pixabay.com
 

 

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