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As Teorias da Elsa

Um blog que pretende motivar, inspirar, informar e dar a conhecer sítios e lugares surpreendentes.

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Lua-de-Mel | China | De Xi’an a Macau

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Já passaram 23 dias desde que saímos de Portugal, felizes e casados, para a nossa lua-de-mel de sonho.

 

Tudo começou em Pequim, na China, e já vos contei aqui um pouco do início da nossa aventura.

 

De Pequim a Xi’an a viagem foi feita num comboio noturno. Foi uma bela surpresa. Adorei a experiência e recomendo!

 

A cama não é a melhor do mundo (escolhemos hard sleep – mais barato e um colchão mais simples), mas acordar a meio da noite para ir à casa-de-banho (que é literalmente um buraco onde se consegue ver o carril do comboio) e ver pessoas tão diferentes e com hábitos tão distintos à nossa volta, é espetacular.

 

Xi’an foi a primeira cidade que me surpreendeu pela sua dimensão. Pensávamos que era uma “cidadezinha”, mas não, é enorme.

 

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O objetivo de chegar a esta cidade foi apenas o de descer. No entanto, foi mais um sítio que nos encantou. Nunca imaginámos um dia poder vir a conhecer os verdadeiros Guerreiros de Terracota, mas conhecemos.

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A cerca de 18 km de Xi’an visitámos esta impressionante coleção de mais de 300 guerreiros. Vale muito a pena, apesar da quantidade absurda de turistas.

 

De Xi’an partimos de avião para Guiyang. Chegámos de madrugada e nem conhecemos a cidade. O nosso objetivo era no dia seguinte partir para Kaili de TGV. Queríamos conhecer as aldeias e o povo Miao (relativamente próximas de Kaili).

 

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Procurávamos encontrar algo mais rudimentar e verdadeiramente fascinante. Conseguimos, mas não em Kaili. Kaili é mais uma cidade gigante.

 

A chuva tem acompanhado sempre o nosso percurso. Quando chegámos a Kaili, confesso que fiquei assustada. A cidade estava inundada. Os carros não circulavam com facilidade, apenas os autocarros. A água chegava bem acima dos joelhos das pessoas.

 

Não tínhamos hotel reservado, como deixámos de ter desde que saímos de Pequim.

 

Fizemos o percurso completo do autocarro para percebermos qual seria o melhor sítio para procurar alojamento no meio daquele caos. Ficámos no centro da cidade, maravilhosamente bem instalados e com tudo por perto.

 

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Mas o que procurávamos estava a cerca de 30 km daquele centro agitado e agora com bem menos chuva. Encontrámos a aldeia de Langde.

 

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Conhecemos pessoas simples e encantadoras. Vidas humildes que sorriem e vivem bem com pouco. Adoram receber turistas e gostam de mostrar o melhor que fazem: o seu artesanato, as suas belas danças, a sua música e os seus trajes tradicionais.

 

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Fiquei apaixonada por estas pessoas e pela sua pureza. Da aldeia regressámos a Kaili. A cidade perdeu completamente o seu encanto depois de estarmos em contacto com outra realidade muito mais pura e realista.

 

Reservámos um voo para Guilin, o nosso próximo destino, e ficámos surpreendidos com a distância do aeroporto de Kaili à cidade: 70 km. Vou reforçar: 70 km de distância do centro da cidade ao aeroporto. Um aeroporto com ligações domésticas. Com apenas um check-in e duas portas de embarque. Também só havia um avião: o nosso. O percurso até lá foi feito por serras e aldeias perdidas pelo meio da China.

 

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Chegámos a Guilin e tivemos de lidar novamente com a chuva. A cidade também estava “inundada”. O rio estava bastante mais cheio que o habitual e os barcos não circulavam.

 

Foi aqui que sentimos pela primeira vez o calor mais intenso com chuva. As pingas tinham efeito refrescante. Mais uma vez, e de mochila às costas, fomos à procura de sítio para dormir.

 

Tenho a dizer que chuva e mochilas de viagem não é uma combinação perfeita!

 

Esta foi a primeira “pequena” cidade que encontrámos. É linda, mas claro que de pequena tem muito pouco. É mais intimista, mas diria que muito virada para um turista mais calminho.

 

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Não fazia ideia, mas temos muitos fãs na China... São tantos os que querem tirar fotografias e falar connosco que já perdi a conta. Já tivemos miúdas a gritar com histerismo quando nos veem. Até nos fazem sentir umas pequenas estrelinhas. Na verdade, não é de estranhar assim tanto… afinal, não existem assim tantos turistas estrangeiros quanto isso. Somos diferentes e acabamos por chamar a atenção, mesmo sem querer.

 

De Guilin fizémos um maravilhoso cruzeiro pelo Rio Li até Yangshuo. Foi uma viagem surpreendente por entre vales e montanhas de beleza indescritível. Algo absolutamente romântico e que reforçou a lembrança de lua-de-mel perfeita.

 

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O sol rompeu várias vezes durante esta viagem, mas como já vinha a ser hábito, mal parámos em Yangshuo começou a chover torrencialmente. Mal sabíamos que aquela chuva já não era nada…

 

 

Também não tínhamos onde dormir e encontrar foi o nosso primeiro passo. Fomos até à zona centro e só no primeiro hotel onde perguntámos o preço percebemos que a cidade estava às escuras.

 

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Choveu ininterruptamente durante uma semana e a cidade ficou alagada e sem eletricidade. As pessoas estavam desesperadas a extrair a água dos seus negócios e das suas habitações. Fomos a vários hotéis e nenhum tinha luz.

 

Tentámos outra zona um pouco mais afastada e encontrámos o paraíso. Ficámos num hotel barato e simples, mas com uma vista dez estrelas. Tinha eletricidade e a dona era a mais amável e prestável do mundo. Respirámos fundo de alívio. A chuva acalmou e o sol raiou nos dias seguintes.

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É uma cidade linda e a mais pequena que encontrámos na China que desbravámos. Estava destruída, devastada e com uma beleza mais recatada, mas deu para perceber que tem muito para surpreender.

 

Alugámos uma motinha e fomos muito felizes… Daqui partimos para Shenzen, no sul da China.

 

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Este percurso foi feito durante a noite, mas desta vez num autocarro noturno com camas. Sim, camas! Eram ainda mais desconfortáveis do que as do comboio e, sim, o condutor não era nada meigo na condução, mas foi mais uma aventura fantástica.

 

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De Shenzen fomos para Hong Kong. Aqui a minha realidade da China foi totalmente abafada pelos edifícios, pelas marcas internacionais, pelo luxo e pela exuberância das pessoas. A realidade da pureza das pessoas, das lojas chinesas com produtos chineses de fraca qualidade, mas com brilho pelos padrões com um misto de exuberância e simplicidade, acabou.

 

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Hong Kong desfez tudo o que construí na minha cabeça sobre estes chineses que já adorava de coração. Os turistas estrangeiros misturam-se com os turistas chineses, os sorrisos puros e sinceros são anulados pelo aborrecimento das vidas quotidianas.

 

Além de turistas são as várias as etnias que vivem nesta cidade e que se misturam. Senti um pouco mais de insegurança do que até então. O odor passou a ser mais perfumado e requintado. Os buracos foram substituídos por sanitas. Os rostos passaram a estar maquilhados e os cabelos elegantemente penteados.

 

Aqui nem tive fãs desejosas para tirar fotografias comigo… Não. Depois de lidar com pessoas e realidades tão simples, não posso ter chegado a Hong Kong e deparar-me com isto sem um pingo de revolta… Poucas horas ali foram suficientes para querer, e muito, dizer adeus àquela cidade.

 

Atenção, é uma cidade bonita e impressionante do pouco de vista arquitetónico. Tem o seu encanto, sobretudo com a magia que as luzes noturnas lhe concede, mas não queria mais daquilo. Estava bom.

 

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Apanhámos um ferry para Macau. À primeira vista, Macau não parecia muito diferente de Hong Kong, mas tornou-se assim que o meu marido disse o primeiro “ai” de aflição.

 

Passámos a noite em casa de conhecidos recentes. Ele não dormiu, apenas sofreu. Na manhã seguinte fomos ao hospital. Só 12 horas depois soubemos que teria de ser operado de urgência...

 

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